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Air Jordan XI Retro ‘Concord’ 2011 – O Lançamento

Frenesi. Foi esta a palavra mais usada nos sites de notícias dos Estados Unidos para resumir o que foi o lançamento do AIR JORDAN XI RETRO ‘CONCORD’ na última sexta-feira, 23 de dezembro.
Desde o início da semana passada pessoas estavam acampando nas portas de algumas lojas da NIKE, entre elas, a unidade da cidade de Seattle, onde a multidão foi um tanto quanto fervorosa, se assim podemos chamar e a pergunta que ficou foi “por que o relançamento de uma colorway, general release, causou tanto reboliço”? É o que todos se perguntam até agora e a resposta pode estar na soma de diversos fatores, que fizeram deste lançamento, que na teoria seria um (não tão) simples General Release, mais um marco na cultura sneakerhead.

O AJ XI é o décimo primeiro modelo assinado pela lenda do basquete MICHAEL JORDAN. Seu lançamento aconteceu em 1995 e o tênis foi usado pelo famoso JUMPMAN durante toda a temporada, até o final de 1996.
Na época, JORDAN jogava no CHICAGO BULLS e esse intervalo de tempo é considerado, até hoje, como “o grande retorno” do jogador às quadras.
Os Bulls foram os grandes campeões do campeonato nesse ano, sempre com vitórias com dezenas de pontos de vantagem sobre os adversários. Além da vitória esportiva, para JORDAN, o título soou também como uma vitória pessoal: um ano antes seu pai, James Jordan, foi assassinado com um tiro à queima-roupa enquanto dormia dentro do carro, fato que fez MICHAEL pensar até numa aposentadoria precoce. A enxurrada de pontos o fez superar as dificuldades e, com o JORDAN XI nos pés, ser o grande ícone de todo o país.

Essa breve refrescada na memória justifica, um pouco, o que aconteceu durante o lançamento da reedição do tênis. Após a temporada de 95-96, JORDAN virou a principal referência  do basquete mundial: o homem voador, o queridinho das quadras americanas. Crianças, adolescentes, adultos, pais e mães de família: o atleta era consagrado por todos do país, independente se torciam para os Bulls ou os Lakers. JORDAN era, simplesmente, “o cara”.

Em 2011 a memória afetiva que muitos guardavam do CONCORD ficou bem clara, com o modelo ultrapassando fronteiras do universo sneakerhead. Seattle, Atlanta, California, Washington, Nova York tiveram tumultos significativos registrados. As pessoas gritavam, corriam e chegaram até mesmo a brigar – e as ocorrências não foram isoladas. E nem estamos falando das sneaker shops mais conhecidas, acostumadas às filas nos dias de lançamentos. Os tumultos aconteceram, em sua maioria, em lojas de artigos esportivos equivalentes às nossas Centauro, Word Tennis e similares.
Em Seattle a polícia foi mais “intensa” em suas ações, disparando gás de pimenta e bombas de efeito moral para controlar o público. Na mesma cidade, a fila começou a se manifestar às 3h, e às 4h a confusão já estava formada. Em minutos as pessoas invadiram um shopping e resultado foi algo muito parecido com o que já aconteceu na Black Friday, com portas quebradas, pessoas atropeladas, lojas seriamente danificadas e alguns presos.

Já nas lojas virtuais o ‘acampamento’ também aconteceu, de forma um pouco mais solitária. Pessoas de todo o mundo, inclusive aqui do Brasil, passaram madrugadas atualizando as páginas dos seus navegadores, entrando e saindo insistentemente dos sites para ver se conseguiam garantir seu par do CONCORD. A insistência por atualizações de estoque fez com que servidores de grandes sites de compras caíssem e deixassem os sneakerheads ainda mais nervosos.

Todo o “frenesí” Isso fez com que, horas depois, o tênis que custaria em média U$ 180 tivesse seu valor inflacionado para mais de três centenas de dólares – o que nem é tanto assim, tendo em vista outros preços do mercado paralelo. O problema era achar um par.

Noticiários de TV, jornais e sites de informações mostraram a MICHAEL JORDAN, e a todo o mundo, uma  prova do quão icônico é este atleta e do que ele representa para as pessoas dos Estados Unidos. O tênis, que era para ser apenas mais uma colorway relançada, tornou-se um símbolo da melhor fase do basquete mundial e, consequentemente, da melhor fase que o rei das quadras já teve.

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Mas será que somente essa “herança” explica o ‘fenômeno’ CONCORD?
Nos dois anos anteriores as colorways SPACE JAM e COOL GREY do mesmo JORDAN XI já haviam ganho relançamentos, com muito sucesso mas sem tanto tumulto o que reforça ainda mais a pergunta: por quê?

A resposta passar por um hype construído à base de uma história esportiva significativa, alavancado por um dos maiores ídolos do esporte (que até voltou a calçar o modelo num passeio informal, semana passada), alimentado por uma estratégia de marketing bem construída – anos atrás – por nenhuma reedição nessa última década e meia e por um círculo atual de veículos sneakerheads cada vez mais fortes o que prova que, ao contrário do que acreditam os mais pessimistas, a cultura de calçados esportivos está longe de acabar.


Muitos dos que estavam nessas filas compraram  o tênis pensando no dinheiro que poderiam fazer revendendo seus pares?
É óbvio. E, por menos legal que isso seja, faz parte do jogo.
Um monte de gente que não tinha ideia da história por trás do CONCORD comprou o modelo só pelo efeito “maria vai com as outras”? Sim, novamente.
E esses são só mais reforços para o acontecimento que foi, em pleno ano de 2011, o relançamento do AIR JORDAN XI CONCORD.