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Colaborações Com Artistas Estão Vendendo (Muito) Mais Do Que Modelos Assinados Por Atletas, No Mercado Paralelo

Entrevistado pela Forbes, Jed Still, fundador e um dos sócios da Stadium Goods, divulgou números que atestam o que muitos já sabiam: pela primeira vez na história da indústria de calçados esportivos, colaborações com artistas estão vendendo muito mais do que os modelos assinados por atletas.

Isso se refere ao mercado paralelo de revenda, obviamente, território onde a Stadium Goods já se firmou como um dos maiores nomes. Ainda assim, os dados divulgados por Still impressionam e são bem representativos dos tempos em que vivemos: segundo ele, os tênis assinados por Kanye West vendem 70,9% do que os modelos assinados por Stephen Curry, um dos maiores astros atuais da NBA. Quando comparados aos de LeBron James, os calçados de Kanye vendem 9,4% mais e na comparação com os produtos de Pharrell Williams, o mais novo astro dos Lakers perde feio, com o produtor dobrando seu número de (re)vendas.

Pharrell e Kanye juntos, ainda nos números da Stadium Goods, sempre bom lembrar, vendem 80% mais tênis do que a combinação de Paul George, Demian Lillard e Steph Curry, atletas patrocinados por NIKE, ADIDAS e UNDER ARMOUR, respectivamente. Quando outros artistas, como Rihanna, Travis Scott e Drake são incluídos na conta, os números aumentam, consideravelmente.

Embora esses não sejam dados do mercado oficial esportivo – são relativos a uma loja que faz revenda – os números são bastante significativos e atestam a teoria já defendida por muitos especialistas da indústria: artistas, especialmente rappers, são os novos atletas. Jed Still credita tal mudança ao poder que esses astros têm nas redes sociais, à capacidade das suas criações focarem mais o estilo do que a performance e a obrigação que os pro-model têm com tecnologia e desempenho esportivo, nem sempre conseguindo aliar esses atributos com um design que agrade às novas gerações de consumidores.

Além disso, outros analistas do mercado esportivo creditam a baixa performance na venda dos calçados de basquete (especialmente) à falta de um grande ídolo, do quilate de Michael Jordan, na NBA.

Uma importante pergunta que fica é: se o mercado esportivo continuar sendo guiado por estilo, e não por estilo combinado à performance, quais serão os clássicos do futuro?

A partir dela, outros questionamentos se fazem necessários: continuaremos, para sempre, reeditando modelos dos anos 1970 aos 1990? Até quando? Será que o mercado de casual/de luxo vai, um dia, bater os de modelos verdadeiramente esportivos?

Para se pensar…