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Colecionadores Mataram Suas Curiosidades A Respeito Do Air Jordan 3 Com O Próprio Tinker Hatfield

É quase que impossível desassociar a imagem de Tinker Hatfield da NIKE e JORDAN BRAND, já que boa parte da construção das duas marcas, da forma como conhecemos nos dias de hoje, se deve às ações iniciadas na ponta do lápis dele.

AIR MAX 1, AIR HUARACHE, MAG e muitos outros ícones da cultura sneaker saíram da mente de Tinker, mas um tênis, em especial tem ganhado destaque nas últimas semanas: O AIR JORDAN 3, primeiro modelo da marca do Jumpman a ser desenhado pelo designer e que completa 3 décadas de existência nesse começo de 2018.

Nesses seus 30 anos, o AIR JORDAN 3, certamente, gerou muitas curiosidades em seus fãs e a JORDAN BRAND resolveu convidar alguns colecionadores da marca para matar suas dúvidas referentes ao modelo direto com quem melhor poderia respondê-las: o próprio TINKER.

A seguir, você confere a tradução do papo, divulgado no site da própria marca.

Foi no AIR JORDAN 3 que você e Michael Jordan trabalharam juntos pela primeira vez. Como ele estava quando vocês se encontraram?

Eu já sabia que Michael não estava feliz com o Air Jordan 2. Além disso, ele havia quebrado o seu pé enquanto usava o tênis. Mas o nosso primeiro encontro foi muito bom e eu passei a conhecer muitas coisas sobre ele, além de perceber que era enorme o seu senso estético.

Me lembro de entrar no voo para Chicago junto de Howard White (atual vice-presidente da Jordan Brand) e chegar ao condomínio de Michael Jordan. O prédio todo parecia tremer, como se uma briga estivesse acontecendo lá dentro. Howard tocou a campainha e ouvimos uma voz dizer ao fundo: “pode entrar, a porta está aberta”.

Entramos. Michael estava na parte mais baixa da casa e o teto não estava a mais do que 2 metros e meio do chão. Ele estava jogando tênis de mesa contra um de seus companheiros de time. Ele mal conseguia ficar de pé naquele lugar, de tão próxima que sua cabeça ficava do teto.

Mesmo assim, eles jogavam sem parar. Era uma partida disputadíssima, com eles acertando a bolinha, correndo de um canto para o outro da mesa e se chocando contra as paredes.

Essa foi uma boa forma de ser apresentado para Michael Jordan e isso me ajudou a formular a noção de que eu nunca gostaria de entrar em competição com um desses caras.

Depois disso, fomos juntos até uma alfaiataria, onde Jordan tinha marcado uma hora. Foi incrível vê-lo junto daqueles alfaiates. Ele ia escolhendo materiais e, literalmente, dizia: “eu não gosto dessa lapela. O que podemos fazer de diferente?”. Michael sempre esteve muito envolvido nos processos.

Para mim, foi ótimo presenciar essas coisas. Eu não acho que outra pessoa no mercado tinha se dado conta de como os atletas eram capazes de ser reais colaboradores. Michael dizia coisas realmente inspiradoras, como “eu sempre quis um tênis de basquete que fosse confortável assim que saísse da caixa.”. Isso nunca havia sido feito antes.

Naquele momento, eu realmente não estava entendendo muito bem as coisas. Eu só sabia que que a gente precisava fazer grandes mudanças.

 

Nos primeiros desenhos do AIR JORDAN 3 havia um Swoosh. O que aconteceu?

Mesmo não conhecendo Michael muito bem, eu achei que seria ótimo conversar com ele sobre ter sua própria marca. Mas eu estava em conflito e achava que o Swoosh ficava bem no tênis. Ele foi desenhado para que tivesse um Swoosh e é por isso que o seu uso agora funcionou. Há um bom lugar pra ele.

Do outro lado, eu tinha o logo do Jumpman e sabia que ele era uma boa escolha para o tênis. Eu mesmo o criei e, na sequência, começamos a estampá-lo e bordá-lo no tênis. Isso tudo aconteceu em apenas poucas semanas.

Quem apresentou o Jumpman para Michael? Foi você?

Sim, fui eu. Nós tínhamos alguns modelos feitos e eu também o coloquei em algumas peças de roupa. Michael não estava com muito bom humor quando chegou e logo disse “Me mostre o que você tem”. Eu estava com o tênis debaixo de um pano preto. Não era muito possível ver como o design era realmente e Jordan já tinha visto algumas coisas em nossos dois últimos encontros.

Quando eu peguei o AIR JORDAN 3, Michael o tirou das minhas mãos e começou a analisar tudo. Depois de alguns instantes, ele já estava sorridente e me fazendo todos os tipos de perguntas. Após 20 minutos, a reunião já tinha acabado.

De última hora, eu desisti de usar o Swoosh e mantive o Jumpman. O pessoal do marketing questionava minha decisão, então eu resolvi agradá-los e coloquei o Swoosh na parte de trás do tênis.

Houve algum sample dessa versão com o Swoosh?

Eu tenho certeza que algum protótipo existiu. A gente tinha apenas algumas semanas e eu precisava tomar uma decisão. O sample que eu tive era de um belíssimo “Black Cement”, da segunda versão criada.

Antes dessa reunião, alguém sabia das suas intenções de tirar o Swoosh?

Ninguém sabia, até porque eu decidi isso no último minuto.

Como você chegou ao Elephant Print e ao couro granulado?

Na segunda reunião eu tinha comigo um monte de couros diferentes e únicos, que encontrei depois de procurar muito. Foi aí que eu encontrei a pele de elefante e o couro granulado, que, naquele momento, chamamos de “flutuador”. Eu mostrei para Michael e ele adorou as escolhas.

As pessoas me diziam que a gente não podia usar esse tipo de couro em um tênis, pois ninguém nunca havia usado antes, e eu deixava claro que daria uma chance para o material. A gente queria que o tênis, logo de cara, fosse macio e um tanto luxuoso. Quando Jordan viu o tênis pela primeira, vez nós sabíamos que a escolha certa tinha sido feita.

Por que não foi feita uma versão de cano alto?

Nunca houve qualquer conversa sobre ser feito um tênis de cano alto. MJ não queria altura. Ele só precisava de um suporte maior do que o dos canos baixos.

Eu já tinha trabalhado nesse perfil médio com o AIR TRAINER e achei que valeria a pena explorar isso melhor no AIR JORDAN 3. Foi aí que chegamos nessa altura de 5/8 e assim que eu apresentei para Michael ele disse “isso é muito radical, mas é perfeito. Todos estão indo nessa e naquela direção, mas é isso que nós vamos fazer.”.

Tradicionalmente, os tênis de performance eram todos brancos. Por que escolher o preto?

Não queríamos ser tradicionais e eu não queria que o tênis fosse como qualquer outro. Eu senti que Michael Jordan era o tipo de pessoa que poderia estabelecer algo novo, fresco e um pouco além daquilo que já era conhecido.

No Brasil, o AIR JORDAN 3 “Black Cement” retorna no dia 17 de fevereiro, com vendas na loja online da NIKE e representantes da JORDAN BRAND. O preço de cada par é de R$899,90.

Traduzido daqui.