Se você der uma chegada até seu armário de tênis e observar as etiquetas, geralmente na parte interna da língua, você provavelmente verá o nome de países como Vietnã, Indonesia e China. Certamente, você já deve ter notado isso em muitos outros produtos aí na sua casa.
O 2 de abril de 2025 ficará marcado como o dia do “tarifaço” prometido em campanha e anunciado por Donald Trump. Sua influência para os novos rumos da economia global é assustadora, mas vamos nos ater ao impacto sobre os tênis que calçamos: essa nova rodada de taxas impôs 34% sobre a China, 46% sobre o Vietnã e 32% sobre a Indonésia. Isso se soma às tarifas já aplicadas no início do ano, deixando a China, por exemplo, com um total de 54%.

MADE IN VIETNÃ. MADE IN CHINA. MADE IN INDONESIA.
Conforme você mesmo constatou dando essa olhada nos seus pares, a maioria das grandes marcas tem seus centros de fabricação nesses países. NIKE, ADIDAS e ASICS possuem mais de 90% de sua produção nas três regiões impactadas. A PUMA tem 65%, enquanto a NEW BALANCE tem a menor porcentagem, com 55%, graças aos cobiçados “Made in UK” e “Made in USA” – mas longe de passar ao largo do problema.




Embora essas tarifas elevadas não afetem da mesma forma as vendas de todas as marcas — as vendas da NIKE nos Estados Unidos representam 42% do seu total, enquanto as da ADIDAS são de 22%. Trump também aplicou uma tarifa universal de 10% sobre todos os produtos que entram nos EUA. Isso significa que nem a fábrica da NEW BALANCE em Flimby (UK) está à salvo, nem qualquer outro local onde as grandes marcas produzem o restante de seus produtos.
Se os sneakerheads têm motivos para se preocupar, os investidores já estão em pânico. Desde o anúncio, as ações da NIKE despencaram 14,4%, enquanto as da ADIDAS e da PUMA caíram 11,7% e 11,1%, respectivamente.
VAI FICAR AINDA MAIS CARO
Sempre vale lembrar que as marcas, até agora, ainda tentam subir a montanha, após rolarem ladeira abaixo no período da pandemia (e pós pandemia), o que significa que não há espaço para diminuição de lucro, no momento. Ou seja: o preço vai subir. O Financial Review escreve: “Pesquisas geralmente indicam que os consumidores e empresas dos EUA são os que absorvem os custos de tarifas mais altas. Para evitar lucros mais baixos, as empresas geralmente optam por aumentar os preços e repassar parte desse custo para os consumidores”.
“Alterar as cadeias de suprimentos não é uma opção, dado que o calçado de desempenho exige um conjunto de habilidades muito específico e fábricas especializadas”, disse Poonam Goyal, analista da Bloomberg Intelligence. “Não consigo imaginar como os preços para os consumidores não vão subir.”
Um exemplo prático: em um par de JORDAN 1, o preço FOB (freight on board, ou seja, embarcado no Vietnã) é estimado entre US$ 20 e US$ 30. Com a nova tabela de Trump, A NIKE pagará um adicional de US$ 9 a US$ 14 por par. E, pode ter certeza, não fará isso sozinha.


E O BRASIL?
Lembra da tarifa de 10% para todos os países? É aí que o Brasil entra na equação: as tarifas sobre os calçados nacionais vendidos nos Estados Unidos subiram de 17,3% para 27,3%. Para a indústria calçadista brasileira, é um bom sinal, ainda que ela responda por apenas 0,5% do que os EUA importam de calçados (totais, incluindo sapatos). Por outro lado, o Brasil corre o risco de ser inundado por produtos asiáticos, pois a produção excedente precisará encontrar mercado em outro lugar, onde seja menos tributado do que na terra de Trump. OLYMPIKUS e ÖUS pisando em outras calçadas? Uma realidade distante, mas menos distante agora.

A IDEIA FOI DELE
Vale lembrar que as indústrias de calçados e vestuário aumentaram a produção no Vietnã durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, num momento em que ele tinha a China como seu grande alvo. O Vietnã possuía bons acordos comerciais com os EUA e a União Europeia, tem baixos custos de mão de obra, uma força de trabalho qualificada, infraestrutura de transporte e era visto como menos propenso a se envolver em guerras e afins.
E AGORA?
Agora que a promessa virou realidade, os personagens envolvidos começam a buscar saídas para se defender e/ou contra atacar. Talvez a grande aliada dos países taxados seja a insatisfação do próprio povo americano, quando os reflexos das ideias não internacionais de seu presidente comecem a pesar no bolso – o que já está acontecendo, mas longe do impacto previsto por grande parte dos economistas e observadores.
Fato é que o 2 de abril é, nos termos atuais, uma declaração de guerra mundial.
-
Mizuno Prophecy Moc

Comprar
$1.999,99 -
PUMA H-Street OG

Comprar
$599,99 -
Nike Shox R4

Comprar
$1.299,99 -
ASICS GEL-Kayano 14

Comprar
$999,99

