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Conhecendo Melhor O Barefoot Running

Tênis com sistemas de amortecimento complexos e de ultima geração são os melhores para corrida, certo? Errado. Pelo menos segundo um grupo de corredores e cientistas que defendem que correr descalço, ou com modelos que emulem essa configuração, é o melhor para a musculatura do pé.
O assunto,  chamado BAREFOOT RUNNING  – literalmente, corrida com pés descalços – de 7 anos para cá virou uma febre no mundo esportivo, tanto que todas as grandes marcas lançaram modelos para o segmento que ainda divide opiniões.

Embalados pelo interesante infográfico criado pelo RUNNING SHOES, site especializado no universo da corrida, e sem a menor pretensão científica – já que a nossa história por aqui são os tênis e não a ciência por trás do esporte – fomos conhecer um pouco mais alguns dos modelos e do fundamento dessa categoria de calçados.

The Barefoot Running Revolution

Os números do infográfico em questão (clique para ampliar) estão do lado dos praticantes, afinal, de acordo com ele, de 65 a 80% dos corredores americanos sofrem alguma lesão durante o ano e as probabilidades de lesão são 5,34 vezes maiores para um corredor do que para um ciclista.
Segundo os defensores da prática, isso acontece porque de 75 a 80% das pisadas num tênis comum resultam no calcanhar chegando ao solo primeiro que a parte anterior do pé. Assim, os pequenos ligamentos dessa região ficam inativos e, consequentemente, mais fracos.
Além disso o tendão de aquiles é alongado, o que gera mais estresse nos músculos da coxa e da pélvis.

Já na corrida descalça, ou com um modelo aonde a diferença de altura entre o calcanhar e a parte anterior do pé seja zero – ou o mais próximo disso (e essa é a principal característica dos BAREFOOT RUNNERS), os pequenos ligamentos são ativados em sequência, resultando no ativamento do tendão de aquiles somente no final da passada. Ou seja, o impacto no calcanhar é reduzido em até três vezes e o impacto total é distribuído de maneira mais balanceada, já que o pé se flexiona normalmente. Há ainda, segundo a mesma corrente, um fortalecimento nos músculos da canela e joelho.

Mas partindo para os tênis, o que caracteriza, de fato, um modelo pensado para o BAREFOOT RUNNING?
Antes de tudo, a diferença de altura entre o calcanhar e a parte anterior do pé: num modelo convencional ela pode chegar até 12 milímetros de variação, ficando entre 8 a 11 mm nos mais antigos. Num típico modelo de barefoot running a diferença é da ordem de 0 milímetros, ou quase isso.
Algumas marcas investem em cabedais quase sem costuras e bem respiráveis para aumentar a sensação de se estar descalço, mas o que vale mesmo é altura da entressola, que pode ser ainda turbinada por um potente sistema de flexão.

A família FREE, da NIKE, foi um dos responsáveis por tornar o movimento mais conhecido do grande publico e desde o seu lançamento, em 2004, vários modelos chegaram ao mercado explorando conceitos diferentes e a flexibilidade do seu solado. Além dela muitas outras marcas passaram a investir no segmento.
A VIBRAM mostrou um modelo com dedos separados já em 2005, enquanto a ADIDAS, em um modelo mais recente, separou somente o dedão e criou um solado que copia o desenho da sola do pé.
Mais recentemente ainda, a NEW BALANCE mostrou a coleção MINIMUS, que traz diferentes níveis de entressola e foi desenhada pensando também nos corredores de montanha.

Com diferentes sites e publicações sobre o tema e um mercado consumidor consolidado – pelo menos lá fora – a febre do BAREFOOT RUNNING se firmou como uma nova fatia do mercado, apesar de uma certa polêmica que o cerca – e a corrente do contra também é bastante barulhenta.
Aqui no Brasil a tendência também vai ganhando adeptos, principalmente graças aos modelos da família FREE, bastante usados nas horas casuais, e o assunto é recorrente nas publicações especializadas – mais indicadas do que nós para a discussão técnica.
Daqui, nós ficamos acompanhando os desdobramentos do BAREFOOT RUNNING no universo sneakerhead, que incluem a adoção de cabedal com poucas costuras e solado flexível, quase sem diferença de altura, nos mais diversos modelos – e que não promete parar tão cedo.