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Fazendo Parte Das Sessões

Conteúdo digital da Revista SBR#15
Por Douglas Prieto

Estamos em 2020, bem perto dos Jogos Olímpicos de Tóquio,
onde o skate vai debutar como esporte olímpico.

Enquanto a discussão em torno disso segue acalorada, com puristas em desespero e competidores animadíssimos, um logo aparece em destaque em quase tudo que se refere ao tal skate olímpico: Nike SB. Sim, a divisão de skate da Nike patrocina boa parte dos possíveis medalhistas de diversas nacionalidades. Podemos garantir: a marca subirá nesse pódio. Nesse, não, nesses, já que as disputas acontecerão no street e no park, masculino e feminino.

Antes do possível momento de glória esportiva, vamos retornar um pouco no tempo. A entrada da Nike no skate aconteceu em meados dos anos 90, numa celeuma parecida com a atual questão olímpica. Enquanto alguns defendiam os benefícios da entrada de um gigante no skate, outros enxergavam um desvio de rumo sem volta.

Ainda que a campanha fosse criativa, com o mote ‘what if all athletes were treated like skateboarders’ e mostrasse situações bastante reais, com as quais os skatistas se identificavam, os tênis não saíram das prateleiras. Pelo menos não nas quantidades esperadas. Silhuetas novas, específicas para skate, não encontraram aceitação nas ruas e skateparks. Hora de voltar pro escritório, rever a estratégia e chamar Sandy Bodecker.

Nota do Editor: as imagens de tênis que ilustram essa matéria são das primeiras tentativas da Nike de se aventurar no universo do skate, modelos lançados entre janeiro de 1996 e dezembro de 1997.
fotos divulgação news.nike.com

O retorno aconteceu em 2002, dessa vez com as letras SB (fazendo referência a skateboarding), uma aliança com exclusividade para venda em skateshops e nomes inquestionáveis no universo do skate (como Gino Iannucci, por exemplo) avaliando os produtos.

Sob o comando de Sandy, várias decisões acertadas aconteceram na sequência, não só na escolha de skatistas mas como de fotógrafos (como Atiba Jefferson) e videomakers (Jason Hernandez, Ty Evans, entre outros) que vieram do núcleo duro do skate e conseguiram emprestar muito de sua relevância pra Nike SB.

A montagem de um time diverso contribuiu para que se tornasse quase impossível não encontrar alguém usando Nike SB que não fosse amado em algum nicho dentro do skate. Lendas como Lance Mountain, referências históricas como Brian Anderson, Guy Mariano e Eric Koston, skatistas raiz como Peter Hewitt e Chet Childress, campeões como Nyjah Huston e Yuto Horigome, prodígios como Paul Rodriguez, meninas de perfis distintos como Letícia Bufoni e Lacey Baker… Enfim, chegamos ao ‘se fulano está no time, é porque é de verdade’. Isso se estendeu ao Brasil, com nomes como Cezar Gordo, Fabio Cristiano, Luan Oliveira, Gabriel Fortunato… Todos de Swoosh, pra todos os gostos, de e para diversas gerações.

Voltando a Tóquio 2020 e ao centro das questões críticas, alguns uniformes de delegações,  inclusive o da brasileira, foram feitos pela marca em conjunto com o designer Piet Parra. Ainda que o time composto por diversos perfis siga filmando, fotografando e manobrando para o agrado das muitas vertentes do skate, é evidente que a proximidade dos jogos fez com que a Nike SB dedicasse boa parte de seus esforços e grande parte do seu dinheiro apostando no sonho olímpico.

Muito antes de qualquer tentativa da Nike adentrar o mercado do skate, os tênis da empresa de Beaverton já faziam parte das sessões. Por escolha espontânea dos skatistas, o Dunk era um dos modelos mais vistos, sendo uma boa opção para os que buscavam um tênis que funcionasse na parceria com o shape, fosse durável e não muito caro. Sua transformação em calçado de skate funcionou muito melhor do que criar novas silhuetas: skatistas e sneakerheads adoram Dunks, e, desde 2002, a Nike SB lhes oferece diversos deles.

No caso mais recente, em fevereiro de 2020, o interesse no Nike SB Dunk Low Travis Scott causou filas de milhares de pessoas na Maze, em São Paulo, enquanto a conta de Instagram da Guadalupe Store recebeu 25.000 comentários de interessados no modelo. Mas desde as primeiras edições, a união de Dunk e SB trouxe uma infinidade de releituras cobiçadas, recheadas de boas histórias e muito funcionais pra lixa – aos que se arriscaram experimentar.

Colabs com Supreme, o modelo mid que homenageou o falecido Lewis Marnell, Dinosaur Jr., Medicom, Diamond, o Pigeon de Jeff Staple, os cano alto da Soulland… A lista é enorme e está em constante crescimento. No caso brasileiro, as três gerações das Custom Series Brasil, lançadas em 2006, 2007 e 2008, tornaram-se sucesso global, reforçando a presença do Brasil no mapa sneakerhead.

No texto que abre o ‘The Dunk Book’, livro lançado para assinalar os 15 anos de Nike SB, Sandy Bodecker, numa conversa íntima e pessoal com o Dunk assume a responsabilidade: ‘sei que falo em nome de seus milhões de fãs ao dizer que nossas vidas foram enriquecidas e inspiradas pelo que você contribuiu para o skate e a cultura popular’.

A gente assina embaixo.

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*essa matéria foi escrita e publicada antes das medidas de isolamento social e do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio