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Houve Uma Era De Dunks Exclusivos Do Brasil – E Talvez Você Nem Soubesse (Ou Lembrasse) Disso…

Cinco anos depois de devidamente instalada no Brasil (como uma subsidiária da matriz americana, e não mais como uma licenciada), a NIKE começou a produzir modelos feitos por aqui e somente para o mercado brasileiro.

Àquela época – e estamos falando da primeira metade da década dos 2000 – o DUNK começava a dar os primeiro passos rumo ao olimpo sneakerhead, vendo reforçadas suas conexões com o skate e a rua, além de resgatada a herança trazida do basquete.

As informações corriam a ‘rede mundial de computadores’, termo bastante em voga no longínquo 2005, através de fóruns de discussão, como os extintos NikeTalk, NikeSB.org (que nada tinha a ver, oficialmente, com a marca do Swoosh) e Sole Collector, que existe até hoje, com um formato bem alterado, e dos primeiros blogs.

Por aqui, o SneakersBR havia acabado de nascer e engatinhava, muito mais como um blog pessoal e como uma comunidade no saudoso Orkut (que reunia os primeiros apaixonados em torno do tema), do que como um veículo de informação, nos moldes tradicionais. Como todo começo, ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo – nem nós, nem as marcas – mas já dava pra sentir que havia uma vontade no ar por esse local que possibilitasse troca de informação e encontro de pessoas interessadas em um mesmo assunto: tênis, no caso.

 

 

 

 

Não demorou muito até que alguns aqueles primeiros tênis feitos pela NIKE somente para as lojas brasileiras – inicialmente sinalizados com a sigla EMB, de “exclusively made to Brazil” – ganhassem as nossas páginas e daqui fossem parar naqueles fóruns e (outros) blogs, chamando atenção do mercado internacional que primeiro duvidou da sua autenticidade, pra só depois se conformar de que sim, o Brasil começava a entrar no mapa sneakerhead com colorways – sobretudo dos amados DUNK, Hi e Lo, mas também de BLAZER e TENNIS CLASSIC – que só existiam por aqui, tal qual havia acontecido anos antes no Japão com os mitológicos co.jp (guardadas as devidas proporções), mas isso é história para um outro post.

2006 foi um ano decisivo: a NIKE do Brasil anunciava um time local de skate e com ele a primeira das Brasil Custom Series, séries de DUNK SB assinados por seus patrocinados que viria a se repetir pelos dois anos seguintes.

Correndo por fora, um outro DUNK, de cano baixo e língua gorda, construído em couro liso e camurça, em combo de branco, azul e laranja, finalizado com cadarços pretos, ia parar nas prateleiras das liquidações por aqui, enquanto lá fora, impulsionado pela presença nos fóruns internacionais e por sua ‘raridade’ começava a virar moeda valiosa, reforçando a já crescente fama dos modelos EMB.

Foto: NiceKicks

Quase 15 anos e dois ciclos de consumo depois, o frenesi em torno do DUNK ganhou força mais uma vez, criando uma verdadeira guerra fria entre velhos e novos fãs do modelo, resgatando histórias do passado, reafirmando parcerias de sucesso e fazendo ‘novos’ apaixonados embarcarem em expedições arqueológicas sneakerhead, em busca de pérolas famosas ou daquelas meio esquecidas – e que voltaram a valer pequenas fortunas no mercado paralelo. 

Nesse clima de reviver os tempos áureos do DUNK, fomos em busca de todas as versões do modelo que só existiram por aqui, pra você conhecer (ou relembrar) um tempo de discussões acaloradas em torno de etiquetas e cores de caixa, e de quando um par de DUNK comprado por modestos 79 reais poderia facilmente virar um (recém lançado) iPhone 1. Mas essa parte da história só mesmo quem viveu vai entender…

DUNK SB EMB (2004-2006)

Junto com o DUNK ‘Miami’, que recebeu esse apelo pelo combo de azul, branco e laranja e foi exatamente aquele “achado” a 79 reais em prateleiras de liquidações e comercializado no mercado de revenda por valores que chegavam ao preço de um iPhone geração 1, pouco depois do seu lançamento, a NIKE do Brasil apostou em reproduzir por aqui colorways já disponíveis no mercado internacional, alterando o tamanho do cano (o que era Low ou Mid virava Hi e vice-versa) ou modificando pequenos detalhes.

Dunk ‘Miami’

‘Brown Pack Hi’

‘Neptune’ Hi – Originalmente lançado como Lo, lá fora

‘Bic’ Hi – originalmente lançado como Lo, lá fora

Cores do Dunk ‘Eire’, sem os bordados e numa cartela diferente de materiais

‘UNLV’ ou ‘Ultraman’ e a polêmica caixa dos EMB

‘Buck’, com diferença de tonalidade e no bordado traseiro

 

‘Vamp’, com sola gum

‘Mineral’, uma variante da colorway ‘Vapor’, lançada lá fora

‘Orange Flash’

DUNK ‘Fileteado Porteño’ (2006)

Feito no Brasil, mas comercializado somente na Argentina (!!), com arte inspirada no fileteado portenho, um estilo de desenho típico local. 50 pares de cada cor, apenas.

Brasil Custom Series 1 (2006)

Fabio Cristiano, Rodrigo Gerdal e Cezar Gordo foram os primeiros integrantes do time brasileiro de NIKE SB. Em 2006, o trio, mais o fotógrafo Flávio Samelo, assinou a primeira das Brasil Custom Series, séries compostas somente por DUNK com cores e padronagens desenvolvidas a partir da história de cada um deles.

No primeiro capítulo, Fábio homenageou São Paulo, suas calçadas e ônibus elétricos, Gerdal reviveu a extinta marca Látex, da qual foi sócio, e Gordo voltou para Porto Alegre e a Praça da Matriz, enquanto Samelo, originalmente ‘apenas’ fotógrafo convidado a registrar o projeto, foi de fotografia preto e branco, no que acabou se transformando em um dos mais valiosos – e desejados – DUNKS feitos no Brasil.

A curiosidade é que os três tênis assinados pelos skatistas patrocinados ganharam versões mais “acessíveis”, livres de grafismos e finalizações a laser, e, por consequência, mais baratos (nas lojas daqui), mas não menos desejados pelos gringos.

Fo a partir da BCS1 que começamos a ver falsificações dos tênis que só eram comercializados por aqui. Se alguém tinha dúvidas do sucesso, ele estava confirmado.

Brasil Custom Series 2 (2007)

De novo os três skatistas, Fabio Cristiano, Rodrigo Gerdal e Cézar Gordo, convocados, agora a eleger seu “Pico dos Sonhos”, com pisos icônicos devidamente transformados em versões brancas do DUNK HI.

As cores complementares, vermelho, amarelo e verde, respectivamente para cada um dos patrocinados, foram herdadas da série anterior.

Doc Dog (2007)

A extinta multimarca paulistana Doc-Dog, uma das primeiras lojas a trabalhar com modelos casuais e edições limitadas de tênis no Brasil, celebrou 10 anos através de uma edição do DUNK LOW, marcada pelo couro craquelado e pelos cachorrinhos – mascote da loja – gravados a laser.

Brasil Custom Series 3 (2008)

No terceiro, e último, capítulo da trilogia o tema foi skate e música. O rapper e produtor musical Parteum foi convidado a criar três trilhas sonoras que acompanhassem as três versões do DUNK LO inspiradas nas fitas cassete, walkman e headphones, companheiros inseparáveis de uma boa sessão, nos anos 1990.

Nike SB Brasil Custom Series 3

Dunk ‘Elétrico’ – Jun Matsui (2008)

No centenário da imigração japonesa no Brasil, o tatuador Jun Matsui foi convidado pela NIKE a reunir suas heranças materna e paterna em uma edição especial do DUNK LOW, resultando em uma execução que misturava o luxo dos samurais com os calçados de couro natural usados pelos cangaceiros nordestinos.

Nike X Jun Matsui – Dunk Elétrico

NSW Purple aka ‘Joker'(2008)

Quando abriu a primeira loja de NIKE SPORTSWEAR no Brasil, a marca do Swoosh criou uma leva de produtos exclusivos, dentre eles uma versão inteiramente roxa do DUNK LO, com cadarços extras verdes que o apelidou de Joker, no mercado internacional.

Canarinho (2009-2010)

De novo uma trilogia: por três coleções seguidas, durante os anos de 2009 e 2010, a NIKE lançou a coleção Canarinho, feita para celebrar as conquistas da seleção Brasileira nas Copas do Mundo, como forma de aquecer os motores para a Copa da África. Em cada uma delas uma edição do DUNK LO, que àquela altura já começava a perder seu encanto…

SneakersBR – Espalhando Cultura Sneaker Pelo Brasil (2010)

Decidida a experimentar o projeto NIKE iD por aqui, a companhia do Oregon começou a oferecer versões ‘personalizáveis’ do DUNK LOW. Para promover a iniciativa, o SneakersBR assinou 5 edições exclusivas do tênis, que não podiam ser replicadas por um detalhe bem sutil, em sua execução e vinham acompanhadas de diversos acessórios especiais.

 

SneakersBR X Nike Sportswear – Espalhando Cultura Sneaker Pelo Brasil

 

BÔNUS

iD (2010)

Junto com o lançamento da versão brasileira do NIKE iD, a marca também mandou edições “pré-prontas” para uma de suas lojas, instalada em São Paulo, razão dos gráficos gravados – ou cortados – a laser, inspirados pelo mapa do estado.

Nike iD X SneakersBR – 1 de 1

Ainda dentro dos projetos que promoviam a chegada do NIKE iD ao Brasil, o SneakersBR assinou uma edição especial 1 de 1 do DUNK LOW, feita para mostrar diversas das possibilidades de cores e materiais disponíveis para criação.

Nike iD X SneakersBR

 

Dirty Money (2011)

Apesar de não ter sido produzido no Brasil, o DUNK MID ‘Dirty Money’ nasceu de um projeto local, um documentário que celebrava o filme de mesmo nome, lançado em VHS na década de 1990 e que foi responsável pelo ressurgimento da cena local de skate.

Nike SB X Dirty Money

 

Colaboração e Pesquisa: Filipe Carvalho