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Nike Conta Um Pouco Mais Sobre A História da Tecnologia Air Max

Uma das mais conhecidas histórias, que pra alguns já vem sendo contada desde 1987, pra outras pessoas ainda é novidade, e foi pensando naqueles que têm sede de informação e paixão pelos calçados da família AIR MAX que a NIKE dedicou uma postagem integralmente para contar parte do que está por trás das cápsulas de ar mais famosas do mundo.

A evolução do tamanho e formato das cápsulas, do AIR MAX 1 ao 2015, é o tema central da matéria, que apresenta, ainda, um personagem pouco conhecido da cultura sneaker – apesar de fundamental na evolução da família AIR MAX: DAVID FORLAND, atual diretor de inovação e amortecimento da companhia.

Para conferir a história completa você pode se dirigir diretamente ao blog da NIKE – através desse link – mas antes leia, logo após a imagem, uma entrevista exclusiva com FORLAND, um cara tão importante para a indústria de calçados esportivos quanto TINKER HATFIELD, que falou sobre o trabalho que vem desenvolvendo na empresa do Oregon desde 1985 e que foi decisivo para a criação de todos os modelos da família AIR MAX.

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Como você começou a trabalhar na família Air Max?

Na época em que estavam começando a desenvolver a cápsula de ar visível, eu tinha acabado de ser contratado. Não demorou muito para perceber que a empresa estava de fato interessada em mostrar a tecnologia Nike Air ao consumidor.

 Como foi trabalhar no início desse projeto?

Os dois primeiros anos foram de muito trabalho. De 1985 até lançarmos realmente o Air Max 1, em 1987, nos dedicamos à pesquisa e ao desenvolvimento, e a inventar o que se tornou o Air Max. Depois de todo este tempo, a ideia meio que veio unida em um pensamento. Como quando um personagem de desenho animado aparece com uma lâmpada acesa acima da sua cabeça.

 Qual foi o seu momento “Eureka!” durante o processo de desenvolvimento do Air Max?

Naquela época, tínhamos que fazer à mão todos os nossos protótipos de ar encapsulado. Enquanto soldávamos um protótipo à mão, outro designer entrou no laboratório e perguntou o que aconteceria se eu girasse a bolsa de ar de modo que as costuras ficassem no topo e na base em vez de ficarem em volta.  Naquele exato momento minha lâmpada acendeu e pensei comigo mesmo “sim, eu poderia fazer isso”.   Construí um novo protótipo na mesma hora, que me permitisse mexer na película da bolsa de ar, de modo que pudesse fazer as uniões necessárias. O que criamos foi uma unidade de ar encapsulado com laterais uniformes, o primeiro protótipo do que se tornaria eventualmente a tecnologia Nike Air visível.  

 Por que deixar a costura na parte superior da unidade era uma descoberta seminal?

Esta descoberta nos permitiu evitar a costura ao longo da lateral da unidade, e nos proporcionou uma visão mais clara da parte de dentro. Com isto na bolsa de ar, tudo que precisávamos descobrir era como vedar a espuma de modo que ela não bloqueasse a lateral da capsula de Air.  

 Bom, isto explica o fim visível da história, onde entra o “Max”?

Antes da cápsula de ar visível, as cápsulas de Air (Air-Sole) como aquela usada no Air Tailwind estavam se tornando cada vez mais finas para tornar o processo de fabricação mais fácil. Nós queríamos voltar a injetar mais ar na sola para obter uma forte sensação de amortecimento sob o pé. Foi a primeira vez que começamos a falar desse processo como “maximum air” ou “Max Air”.

Qual é a quantidade de pressão que fica dentro de uma unidade Max Air?

Quinze a vinte psi é o que vai dentro da maioria das cápsulas de Air (Air-Sole), unidades Max Air ou unidades Nike Air comuns. Conforme observei antes, a diferença é o volume, não a pressão.  “Max” quer dizer a quantidade máxima de ar que podemos colocar debaixo do pé. Se você observar a história do Air Max, especialmente entre 87 e 93, uma das principais coisas que distinguiam cada modelo era o volume de ar retido de cada um, maior do que o último e portanto a menor quantidade de espuma. Espuma estraga, ar não. Para nós, a tecnologia Max Air proporciona o maior volume de amortecimento de impacto ou, em outras palavras, a quantidade máxima de ar sob seu pé. 

 A tecnologia Max Air começou a ser concebida como visível somente no calcanhar. À medida que a franquia progrediu, o ar passou a ficar visível na parte frontal do pé. Você pode descrever a trajetória até o ar visível em toda a extensão?

Revelar cada vez mais ar foi nossa ideia inicial. O Air Max 1 e o 90 tinham cápsulas de ar na parte dianteira do pé, mas ficavam totalmente encapsulados e não tínhamos como tornar o antepé visível com a tecnologia que usávamos naquela época.  Não estávamos nem perto de conseguir ar em toda a extensão, até que desenvolvemos a tecnologia de moldagem por sopro, que foi usada pela primeira vez no Air Max 93.

 O que é moldagem por sopro?

Moldagem por sopro é o processo que nos permitiu criar cápsulas de ar tridimensionais, mantendo sua forma própria. Antes disso, a pressão do ar determinava a forma, e eles podiam inflar como balões.  Com este novo método, a pressão do ar só acrescentaria propriedades de amortecimento à unidade com sola de ar.  Isso nos permitiu fazer as formas que precisávamos para encaixar a curvatura do antepé do calçado. A primeira vez que usamos isso foi no Air Max 95, que ainda consistia de duas cápsulas de ar separadas. Já que tínhamos chegado a este ponto, só faltava fazer a unidade com ar em toda a extensão.

E o Air Max 180? Ele apresentava uma unidade com sola de ar muito exclusiva, onde ele entra no conjunto?

O Air Max 180 foi um dos tênis Air Max mais difíceis de criar. Foi criado com o mesmo tipo de tecnologia de tubos usada no Air Max 1, mas assim como no 90 e no 93, queríamos fazer uma cápsula de ar maior. A ideia era eliminar a espuma sob esta sola, e unir o solado diretamente à cápsula de ar.  Foi muito mais fácil falar do que realizar. Controlar a geometria da sola de ar e a borracha clara do solado para que ficassem unidas de modo eficaz foi um desafio técnico muito difícil.  Ainda por cima tínhamos que descobrir como envolver a borracha em torno da janela para permitir que a cápsula de ar fosse visível em 180 graus. 

Quando vocês finalmente conseguiram o Max Air em toda a extensão?

Só em 1997. Neste espaço de dois anos nós descobrimos como criar uma unidade interligada, na qual o calcanhar e o antepé estariam integrados.  Para fazer isso, tivemos que inventar um jeito de manter a película fundida, que usávamos para criar cápsulas de ar extensas o suficiente para fechar sobre ele um molde de três dimensões com comprimento total. Muitos desenvolvimentos de fabricação entraram neste processo. Obviamente, muitos designs entraram no processo também. Nós ainda tínhamos que resolver o problema de como dispersar a pressão. Criamos protótipos de pressão tripla e de pressão dupla para nos ajudar a descobrir a melhor caminhada e desempenho. Em suma, não foi uma operação fácil.  

 O Air Max não parou aí. O que veio a seguir na lendária família?

Uma vez que alcançamos nosso objetivo de fazer cápsulas de ar com extensão completa, a empresa começou a focar em outras formas de amortecimento. Isso aconteceu mais ou menos na época em que começamos a pesquisar e desenvolver o Nike Shox. De 1998 até mais ou menos 2006 tivemos a oportunidade de nos divertir e fazer experiências com nossas cápsulas de ar. Nesta época criamos algumas versões muito interessantes, como Tuned Air e Tubular Air. Tubular Air, como a que usamos no Air Max 2002, foi tentado com a forma e o número de unidades para controlar a experiência da caminhada, enquanto o Tuned Air, usado no Air Max Plus, foi mais uma interseção de mecanismos e amortecimento a ar. Imagine o Nike Shox e o Nike Air combinados. Funciona acrescentando hemisférios mecânicos no lado mediano da cápsula de ar, o que aumenta a estabilidade dentro do calçado. Cada extremidade tem uma parede espessa precisamente projetada, que controla a rapidez com que a área da sola cede. Depois veio o Air Max 360.

O lançamento do Air Max 360 foi incrível. O que o torna tão especial?

O objetivo do Air Max 360 foi tentar remover completamente a espuma na fabricação do calçado. Como eu disse antes, com o tempo a espuma estraga, mas o ar nunca perde suas propriedades. E também, com menos espuma podemos por mais ar sob o pé, o que era uma das nossas metas originais.  Neste ponto conhecíamos muito bem os atributos de desempenho do Nike Air. Tínhamos feito tantos testes nos anos anteriores que sabíamos que ele proporcionaria grande proteção de impacto, uma plataforma estável, e durabilidade. Agora o que queríamos alcançar era a sensação de passear no ar. O que tomou o lugar da espuma no 360 foi uma cápsula de ar confinada. Na verdade, o Air Max 360 foi o único tênis Air Max com ar confinado – ar confinado geralmente é usado em aplicações Zoom Air. O espaço funciona como estabilizador ao invés da espuma, o que nos permitiu criar nosso primeiro tênis Air Max sem espuma.

 Como é saber que você foi e é parte de uma equipe que ajudou a revolucionar o design de tênis?

É emocionante. Lembro-me da primeira cápsula de ar moldada por sopro, trabalhamos tão duro nela e nem sabíamos se as pessoas iriam abraçar a ideia. Lembro-me de estar em um aeroporto mais ou menos na época que o primeiro tênis Air Max foi lançado.  Eu estava no telefone com um técnico do laboratório quando alguém passou perto de mim usando um par. Lembro-me de ter ficado olhando para ele da cabine de telefone, dizendo “alguém comprou o tênis. Eu vi o sujeito andando com ele”. Isso foi na época anterior aos telefones celulares, há muito tempo atrás.  Outro dia eu estava em uma reunião sobre o Jordan 30 e o sujeito que fazia a apresentação disse, “tudo bem, pensem nisso: estamos fazendo Jordans há 30 anos. Pense no que você estava fazendo há trinta anos.” Houve um breve silêncio e eu disse “Eu estava trabalhando no Jordan 1”.  

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