Números Da Nike Apontam Para Um Longo Trabalho Adiante

21 mar 2025

Junto com mais uma divulgação de resultados, o CEO da NIKE, ELLIOT HILL, disse o seguinte: “O progresso que fizemos em relação às prioridades estratégicas ‘Win Now’ com as quais nos comprometemos há 90 dias reforça minha confiança de que estamos no caminho certo. O que é encorajador é que a NIKE causou impacto neste trimestre liderando com o esporte – por meio de narrativas de atletas, produtos de desempenho e grandes momentos esportivos.”

O discurso ameniza os números, que não são positivos. De acordo com o Business of Fashion, os downloads de aplicativos da NIKE caíram 35% em relação ao ano passado, com o tráfego de pedestres nas lojas caindo 11%. De acordo com a própria NIKE, as receitas do terceiro trimestre caíram 9% em comparação ao ano anterior. As receitas da NIKE Direct foram de US$ 4,7 bilhões, queda de 12% e as receitas de atacado caíram 7%. Vale dizer que a expectativa era por números ainda piores, mas não há nada a ser comemorado.

Para esclarecimento: o ano fiscal da NIKE começa em 1º de junho e termina em 31 de maio do ano seguinte. A letra Q corresponde a “quarter”, um quarto do ano (3 meses). Portanto, os trimestres são divididos da seguinte forma:

Q3 (dados que acabam de serem divulgados): dezembro até fevereiro

Q4 (Quarto Trimestre): março até maio

Q1 (Primeiro Trimestre): junho até agosto

Q2 (Segundo Trimestre): setembro até novembro

Contra números não há argumentos, mas é claro que “não-política” econômica dos primeiros dias do novo mandato de Donald Trump traz, à princípio, um horizonte de incertezas – algo que nem mesmo o próprio governo negue, ao menos num curto prazo. Além disso, toda a questão geopolítica do mundo acaba afetando o consumo das famílias, especialmente de itens não essenciais.

“Nossa perspectiva para o segundo semestre do ano fiscal de 2025 impulsionada por nossas ações ‘Win Now’ permanece consistente com o que comunicamos no último trimestre”, disse Matthew Friend, vice-presidente executivo e diretor financeiro da NIKE, Inc. “O ambiente operacional é dinâmico, mas o que mais importa para a NIKE é atender os atletas com inovação de novos produtos e reacender o impulso da marca por meio do esporte.”

HILL segue dizendo que “‘levará tempo para atingir o volume para substituir o punhado de franquias clássicas que indexamos em excesso, mas nossa abordagem é simples: ajude os consumidores a se apaixonarem por algo novo da Nike, e esse algo não está substituindo um ícone por outro.”

Algumas decisões da nova administração de Beaverton foram vistas com otimismo: o lançamento do PEGASUS PREMIUM e do novo VOMERO 18, a atenção especial em atletas femininas, com seu primeiro comercial do Super Bowl em quase três décadas e o anúncio da submarca SKIMS.

Mas é evidente que o ponteiro demora a se mover, especialmente numa empresa gigantesca. Já seria assim num momento tranquilo. Com o macroambiente complexo, as coisas devem demorar ainda mais tempo para se acertarem.

fonte: Sneaker Freaker

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