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Por que precisamos de lojas exclusivas para o público feminino?

Conteúdo digital da Revista SBR#15
Por Thaiz Alvarenga

As mulheres estão ganhando espaço, mas não falta quem defenda que isso é “segregar”.

Estamos em 2020 e, finalmente, as mulheres vêm recebendo a atenção devida da indústria de calçados esportivos. As coisas vêm melhorando gradativamente: aos poucos, conquistamos nossos espaços, ganhamos lançamentos exclusivos para os nossos pés, as grades se estendem contemplando os tamanhos menores e nos sentimos também parte – de fato – da cultura sneaker. Nos vemos representadas e nossa voz é ouvida. A construção acontece devagar, bloco por bloco, mas os resultados estão ao nosso alcance. Progressivamente, as barreiras de gênero vão se colapsando e somos inseridas em um mundo que sempre nos foi interessante, mas ao qual, por muito tempo, dificultaram nosso acesso. 

O olhar é otimista, mas não é surpresa para ninguém que nem tudo sejam flores. Se chegamos nessas conquistas é porque brigamos por elas. Em vez de esperar que nossos espaços nos fossem cedidos, nos infiltramos. Em vez de nos contentar com o “shrink and pink it”, pedimos opções. E o mercado vem respondendo. 

Por todo o mundo, há alguns anos, as mulheres vêm ganhando lojas exclusivas para os seus pés. Uma das mais famosas boutiques femininas de sneakers é a Naked, que hoje tem três unidades, mas que começou em Copenhague, na Dinamarca. Sua trajetória, que está completando seis anos, conta com uma série de modelos criados em parceria com as mais diversas marcas – o que mostra que elas também estão comprometidas em fazer o mercado feminino se desenvolver. 

Na Europa, a Naked foi seguida pela londrina pam pam (a primeira loja de tênis femininos do Reino Unido) e pela holandesa Maha. As duas abriram suas portas em 2015 com o mesmo compromisso: entregar variedade para as mulheres que não aguentavam mais passar vontade, em uma experiência exclusiva e focada nas suas necessidades. 

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Viajando para um pouco mais longe, na Oceania, a Sole Finess foi a primeira loja da Austrália a focar em nós, e também começou sua operação no ano seguinte à Naked. Em comum, todas essas lojas têm mulheres por trás – sofrendo das mesmas dores e procurando as melhores soluções. Representatividade, lembra?

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Em paralelo a esse movimento, algumas grandes varejistas que já tinham bastante importância no mercado, mas sem foco específico no público feminino, decidiram abrir lojas com o mesmo viés: a Overkill, em Berlim, na Alemanha, a Footlocker, que tem diversas unidades na Europa e nos Estados Unidos, são dois exemplos. O Brasil seguiu essa tendência e, em 2019, acompanhamos a abertura da Your ID Women, em São Paulo. 

Enquanto mulheres comemoram as pequenas conquistas, vemos uma parcela do público alegando que separar os lançamentos, as lojas, as campanhas, é criar ainda mais distância entre os gêneros. Acontece que falta compreensão: todos miram na equidade, mas há uma estrada a ser percorrida até lá. Para atingir uma igualdade, de fato, as desigualdades precisam ser corrigidas. Depois de tantos anos com o mercado esportivo todo voltado para o público masculino, as mulheres precisam encontrar o seu espaço próprio, antes de galgar uma divisão verdadeiramente justa – que ainda é muito maior do que a parcela que detêm. Até lá, a exclusividade se faz necessária, para trazer o problema à luz e para que a inclusão aconteça. 

No meio tempo, a gente vai comemorando as pequenas vitórias e prestigiando o que o mercado prepara pra nós, gritando cada vez mais alto para mostrar que nossa demanda é importante.

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