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Racismo, Esporte E Cultura Sneaker

Desde o século passado, manifestações anti-racistas e diretamente ligadas à defesa dos direitos humanos fizeram do esporte o seu palco.⁣

Muhammad Ali, que dispensa apresentações, e Thomas Smith são dois dos principais esportistas a usar grandes eventos para amplificar seus discursos.⁣ ⁣

Em 1968, durante os Jogos Olímpicos, após quebrar recorde na prova dos 200 metros, o velocista “Tommie” Smith subiu ao ponto mais alto do pódio e ergueu seu punho fechado, em um histórico gesto (reproduzido pelo lutador brasileiro de taekwondo Diogo Silva durante os Jogos em Atenas, no ano de 2004), acompanhado pelo 3° lugar da prova, seu compatriota John Carlos. ⁣

O Puma Suede também marcou presença nesse momento e até hoje é conectado com Tommie e a postura anti-racista adotada por ele.⁣ ⁣

Nas décadas seguintes, ações como essa tornaram-se cada vez mais comuns e as marcas esportivas, importantes aliadas desses atletas, passaram a abraçar oficialmente essas causas, quase sempre através de iniciativas como os lançamentos de coleções de “Black History Month” e também em outras datas onde são celebradas as histórias e a cultura de povos historicamente oprimidos.⁣

Mais recentemente, em 2016, Colin Kaepernick tornou-se um dos grandes nomes dessa luta: o jogador de futebol americano passou a se sentar ou ajoelhar durante a execução do hino nacional dos EUA antes das partidas, como forma de protestar contra a violência policial, o racismo e a desigualdade social que assolam seu país – fato que, infelizmente, é compartilhado com o Brasil.

Os constantes protestos de Kaepernick resultaram em boicote por parte de algumas marcas e até da própria NFL, fazendo com que o jogador focasse ainda mais nas causas que defende e, em 2018, tomasse a frente de muitas ações desse tipo junto da Nike.⁣

Kaepernick, Tommie, Ali, LeBron, Diogo, Rafaela, Westbrook, Aranha, Jordan. Mesmo em posições de destaque, dentro do esporte e da sociedade, nenhum deles – e tantos outros – foi poupado das mazelas do racismo.

Se para eles é difícil, tente imaginar como foi e é para seus semelhantes anônimos, marginalizados e constantes alvos da violência causada pelo descaso que ainda impera, após os pouco mais de 130 anos desde que a escravidão, do jeito que conhecemos pelos livros de história, acabou em nosso país.

O SneakersBR nunca foi uma plataforma para posicionamentos que pudessem ser considerados políticos (de um ponto de vista simplista da palavra), mas sempre tentou aproveitar determinadas oportunidades para falar daquilo que nós, pessoas por trás do veículo, consideramos correto.

Nós falamos, basicamente, sobre tênis. Sobre a cultura que envolve os tênis. E não há como ignorar um fato: a cultura sneaker não existiria se não fosse por essas pessoas.

Os EUA, goste ou não, são um dos grandes centros de discussões em torno desse e de vários outros assuntos. Assim como o nosso, aquele é um país cheio de problemas e feridas causadas pelos abusos de um passado não muito distante. Quase que involuntariamente, herdamos algumas das dores e alegrias de quem vive por lá.

Acontecimentos recentes despertaram ainda mais a ira dos que mal conhecem a justiça, além de abrir os olhos daqueles que sequer se davam conta de que isso era um problema de toda a sociedade. Se não sabe de quais acontecimentos estamos falando, tente buscar no Google por nomes como João Pedro, Ágatha Vitória, David Nascimento dos Santos ou o do estadunidense morto asfixiado por um policial que se manteve por quase 10 minutos ajoelhado sobre seu pescoço, George Floyd.

Já passou da hora de nós, como cidadãos, nos importarmos ainda mais com isso tudo.

Os tênis nos conectam, sim. Mas somos seres humanos, muito antes de sermos sneakerheads.

Um par de tênis pode ser reposto por outro. Vidraças e muros pixados têm conserto. Já para uma vida perdida, não há solução.

O SneakersBR seguirá cada vez mais comprometido e empenhado em dar oportunidades e visibilidade para aqueles que não conhecem o privilégio de não ser perseguido dentro de um supermercado e que estão cansados, há muito tempo, de serem ofendidos pela cor de sua pele ou pela aparência de seu cabelo. Mais do que nunca, esse é um compromisso.

Estamos em 2020 e até mesmo Nike e a adidas, rivais históricas no mercado esportivo, se uniram para amplificar essa luta. Além delas, várias outras marcas têm se posicionado através de seus sites e perfis em redes sociais.

Confira abaixo alguns desses manifestos e torne essa luta presente no seu dia a dia, e não somente hoje.

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