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SBR Por Aí: Conhecendo As Instalações Da PUMA Na Alemanha – Capítulo 3

Na semana passada, fomos convidados pela PUMA a conhecer suas instalações na Alemanha e conversar com alguns de seus executivos sobre assuntos que tinham como principal ponto o RS, desde a origem do primeiro modelo até os novos produtos do que agora é uma família, oriundos de uma nova plataforma.

Nessa mini-turnê, fomos até Herzogenaurach, cidade aonde a família Dassler começou sua confecção de calçados e aonde os irmãos Adolf e Rudolph, começaram a trabalhar juntos em modelos esportivos, depois trilhando caminhos próprios, com Rudolf começando com a Ruda – formada das iniciais de seu nome e sobrenome – e que depois se transformou em PUMA, querendo trazer o espírito do felino para seu empresa.

Em meio a nossas caminhadas internas, conhecemos produtos que ainda chegarão ao mercado nos próximos meses – e sobre eles não podemos falar absolutamente nada – além de alguns dos diversos ambientes dos prédios, um deles com itens históricos da marca expostos em uma ponte, que serve de cenário para uma linha do tempo de produtos esportivos, apresentados em uma visita guiada por Helmut Fischer, o tão conhecido Mr. PUMA – que também empresta cerca de 8000 pares de seu acervo pessoal para um respeitável museu, que conta a história da marca e agora chegou a vez de falar sobre isso.

O arquivo pessoal do Mr. PUMA ainda está em trânsito para o PUMA, THE DEPOT, onde os objetos receberão caixas especiais dispostas em estantes metálicas, tudo cinza. Antes de cada par ser guardado, todos estão sendo digitalizados para dar origem a um grande catálogo virtual da marca.

Nos recheios das prateleiras, temos modelos desde o final da década de 1940 até novidades recém lançadas pela PUMA e o arsenal de produtos esportivos autografados por seus “donos”, como Usain Bolt, Diego Armando Maradona, Pelé, Michael Schumacher, só para citar alguns, é realmente muito impressionante.

Junto dos calçados há também espaço para alguns bonecos, uniformes de diversos esportes, anúncios de época e outros itens, tudo devidamente autografado e com dedicatórias ao homenageado. Outros produtos que chamam muita atenção são as versões gigantes de alguns dos calçados, como a primeira chuteira feita com travas de rosca, sapatilhas de atletismo, chuteiras contemporâneas, PUMA SUEDE, entre outros.

Enfim, um mergulho muito profundo na história do esporte e da marca alemã, contada a partir de seus produtos. Isso sem falar das várias caixas que ainda nem foram abertas no novo local e que devem guardar muitas relíquias.

Ainda no tema “aula de história apresentada por Mr. PUMA”, entre dois prédios do complexo, uma ponte fechada por vidro serve para ambientar uma linha do tempo, com diversos produtos-chave expostos em tótens de acrílico, sempre com suas identificações e, na maioria dos casos, algum backdrop para explicar o tamanho de seu calibre na história.

Começamos no final da década de 1940, com o primeiro modelo criado pela companhia, uma sapatilha de atletismo, exposta junto de um anúncio de época. Na mesma parte, temos as chuteiras PUMA ATOM e SUPER ATOM, começando a contar sua história no futebol que segue com um exemplar assinado por todos os jogadores da seleção brasileira de futebol campeã da Copa do Mundo de 1958, pares da PUMA KING usadas por Pelé e Maradona, modelos usados também por Lothar Matheus, Johan Cruyff e pelos últimos campeões da Copa do Mundo, Antoine Griezmann e Romelu Lukaku. Uniformes também fazem sua parte e uma camisa da Itália, usada na final da Copa do Mundo de 2006 por Marco Materazzi, é a peça mais cara do acervo, fazendo companhia ao polêmico uniforme em peça única, criado em 2004 para o selecionado camaronês, mas banido pela FIFA.

Porém, o futebol não é o único esporte presente e, mostrando sua força, o atletismo também aparece, com ainda mais produtos que brilharam nos pés de Heinz Fütterer, Armin Hary, Tommie Smith, John Carlos, Heike Drechsler, Marlene Ottey, Colin Jackson, Linford Christie e Usain Bolt. O basquete também está lá, com Walt ‘Clyde’ Frazier, Ralph Sampson e o recente PUMA CLYDE COURT DISRUPT. O tênis (o esporte) aparece com Boris Becker e Martina Navrátilová, golf com Rickie Fowler, automobilismo com Michael Schumacher, Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Sebastian Vettel, fechando com personalidades da moda, como Karl Lagerfeld, Rihanna e Selena Gomez.

Em meio a todos os produtos esportivos e quem os levou à glória nas competições, temos um RS COMPUTER, mostrando o tamanho da sua importância dentro das grandes criações da PUMA.

Depois de receber tanto conhecimento histórico, chegou a nossa hora de conversar a sós com o Mr. PUMA e o conteúdo do nosso bate papo, você confere a seguir.

SBR – Como você se sente trabalhando por tantos anos nessa empresa pela qual é tão apaixonado?

Helmut – Bem, eu comecei a escrever minha história na PUMA em 1978, como o primeiro chefe de publicidade e, em seguida, marketing esportivo e eu tenho que dizer que ainda é tão bom como em 1978, porque eu simplesmente amo a marca e porque acho que esta marca é simplesmente a melhor coisa do mundo!

SBR – Nós estamos falando de RS Computer, de 35 anos atrás, quando os computadores não eram tão populares nas casas das pessoas, talvez nem mesmo nas empresas. De onde veio aquela ideia de um sistema de gerenciamento de dados posicionado em um tênis com o qual as pessoas podiam se exercitar?

Helmut – Você pode imaginar que seus avós faziam na década de 1970 o que era conhecido por jogging e, depois de uma dose de atrevimento vinda dos EUA, eles quiserem se tornar corredores. No início dos anos 1980, mais precisamente em 1984, tínhamos um novo chefe, Armin Dassler, filho de Rudolf Dassler, que tinha a ideia de criar o tênis perfeito para corrida. Para isso, ele contou com ajuda da área de biomecânica, por meio do professor Peter Cavanagh de Boston, e eles trabalharam juntos em um instituto de pesquisa em Erlangen, para criar um novo computador que iniciaria uma nova era nos tênis de corrida. O RS ainda. Existiam diferentes componentes que podiam gerenciar um novo pacote de dados que pudesse ser lido. Uma nova construção de solado também era muito importante, uma vez que o amortecimento é uma das coisas mais importantes em um tênis de corrida. Essa nova construção tinha quatro componentes colocados juntos e levados aos testes na universidades para vê-los trabalhando em conjunto, que, naturalmente, amorteceram muito bem. No final dos testes, tínhamos todas as características de um tênis de corrida de um ano de idade. O professor Cavanagh, com toda sua vasta experiência em biomecânica, tornou fácil a tarefa de se implementar a tecnologia no tênis perfeito de corrida. Então, sem as técnicas da PUMA ou sem o desenvolvimento do Professor Cavanagh, nada disso seria possível.

SBR – Em todos esses seus anos trabalhando aqui na PUMA, você já deve ter visto muita coisa sendo criada desde o início e, dentre todas elas, qual a sua criação favorita e qual é o maior potencial incompreendido?

Helmut – Claro que em uma fábrica de calçados sempre damos muito valor ao que é mais novo. Vi muita coisa em todos esses anos e fica muito difícil escolher, mas o que, desde o começo, era único, mesmo eu não tendo uma conexão direta com a criação do calçado, é o RS-COMPUTER, ou o RS-SYSTEM, que é um dos nossos grandes marcos.

SBR – Minha última pergunta: você estava junto na reunião em que o Diego Maradona assinou seu primeiro contrato com a PUMA, certo?

Helmut – Sim!

SBR – E você ainda tem contato com Usain Bolt, Lothar Mathäus e tantas outras super estrelas dos esportes… depois de mais de 40 anos, como você enxerga a evolução dos atletas e dos produtos esportivos?

Helmut – Eu acho que, desde o início com os primeiros atletas a usarem nossas chuteiras, eles nos davam boas dicas de como fazê-las ser ainda melhores. Esse é o tipo de atleta que queremos no nosso time. Não apenas o que pega seu cheque ao final do mês. Mas aquele que trabalha em parceria para todos evoluirmos juntos. E isso vai se tornando cada vez mais importante. Foi isso que fez, por exemplo, com que iniciemos o processo da PUMA KING no caminho certo. Com Maradona não foi diferente: tínhamos as ideias, passávamos para ele fazer o seu trabalho, que era excelente, e em seguida trabalhávamos com as informações que ele nos dava, com dicas preciosas de onde trabalhar. Técnicos e profissionais juntos, isso é a PUMA.

SBR – Muito obrigado Mr. PUMA, estamos muito honrados de estar aqui, podendo conversar com você.

Helmut – Nós da PUMA que agradecemos! Mas, antes de você ir embora, quero te mostrar esse par: esse RS-1 é um modelo único, feito exclusivamente para mim. Essa colorway não era fabricada, mas eu pedi para nosso técnico fazer um para mim, porque eu amo essa mistura de marrom e amarelo.

Fotos: Guilherme Theodoro

E assim encerramos a nossa mini-turnê, onde aprendemos um pouco mais sobre a PUMA e todas as suas inovações, com a ajuda de grandes personagens da marca.

Para você acompanhar ainda mais de como foi a nossa experiência, aqui escrita nessa série de posts especiais, confira um vídeo de cobertura que vai ao ar amanhã, no nosso canal do YouTube!