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SneakersBR e Kickstory Apresentam: adidas Home of Classics – Luan

Apresentado por adidas Originals

O pack HOME OF CLASSICS da ADIDAS ORIGINALS traz uma releitura de grandes clássicos da marca, novos ou antigos, em versões super caprichadas no seu acabamento, execução e cartela de materiais, sempre com couro branco na sua maioria.

De visual simples, a ADIDAS acredita que um tênis todo branco é uma tela a ser pintada e que nenhum par no mundo é igual a outro e que são os próprios donos que irão colocar suas próprias histórias particulares neles.

Em parceria com a ADIDAS ORIGINALS, o SNEAKERSBR convocou três contadores de história brasileiros, KICKSTORY, WHATAZINE e NOTTHESAMO, para encontrar e contar histórias peculiares.

Quem traz a primeira parte dessa leva de conteúdos é o KICKSTORY e você confere a entrevista com o fotógrafo LUAN abaixo.

Como você se interessou e se envolveu com a fotografia? 

Meu ingresso na fotografia foi meio complicado porque não sou de uma família de fotógrafos, nem das artes, nada disso. Foi um gosto que despertou. Mas para começar, eu andava de patins e dentro dos esportes a galera gosta de fazer fotos e vídeos, e eu sentia que faltavam registro fotográfico – muito no patins street que é uma cena muito pequena no Brasil e ainda mais nós periféricos, do extremo leste. Então comecei a fotografar com a intenção de registrar isso e trazer à tona. Aí nas minhas sessões de terapia, e descondicionamento do olhar com o Cláudio Feijó – uma pessoa incrível – eu entendi que na fotografia em si, eu substituí um membro que eu sentia falta, que no caso, meu pai. Não convivo com meu pai – foi aquela velha história do pai que teve um filho e sumiu. Enfim, nessa sumida, ele tinha deixado a máquina fotográfica, que eu ficava desmontando e montando quando eu era pequeno. Aquilo ficou no subconsciente.

Depois de anos minha amiga Raquel me ensinou os primeiros passos da fotografia, e isso despertou um estalo. Substituir a ausência do meu pai com a fotografia. O bagulho virou meu pai, essa ausência. Eu a fotografia e a minha mãe montamos a família baseado nisso. Eu decidi fazer faculdade, aí na minha neura, tipo: “pô, velho, tenho que estudar, tenho que realmente entender o que estou fazendo, tenho que pegar o melhor das coisas possíveis”. Aí procurei a melhor faculdade de fotografia que tinha em São Paulo, e a mais absurdamente cara também (risos). Fiz aí o bacharelado de fotografia, fiquei 4 anos imerso e total dedicado a isso. Vendi um monte de coisa, vendi tênis, vendi roupa, vendi equipamento, voltei a morar com minha mãe. Readaptei a minha vida pra me dedicar só a fotografia. Eu fiz a loucura de entrar na faculdade sem bolsa, sem desconto, sem incentivo, sem pai ou mãe pra pagar. Eu paguei tudo do meu suor, do meu esforço, do corre. Tanto que este foi o último tênis que comprei quando eu entrei.

Ah, e eu participei de reality show em 2017! Chegou a esse extremo aí! Foi um bagulho louco. Fui convidado pra participar de um reality show de fotografia. Do nada me acharam, acharam meu trabalho, me ligaram e falaram “Meu, tem um projeto aqui de reality show, você quer participar?” Eu fui pensando que eu ia trabalhar na parada. Na entrevista eu falei “Nossa! Gravar um reality show, nunca fiz isso!”, aí eu cheguei lá e falaram “Não, você vai participar do reality show!” E eu “Quê? Eu, participar de reality show?”. Aí rolou e foi incrível. Acho que na fotografia foi uma imersão louca. Primeira vez que vi meu trabalho sendo valorizado, saca? Tinha uma galera curtindo, vinha gente de outro estado falar comigo, falando “ow, vi suas fotos”. Foi incrível. Gerou um livro, né? Que foi algo foda. Eu sempre tive a pira de fazer um livro, ainda tenho essa pira. E já editei livro pros outros, já fiz curadoria de livro dos outros, mas nunca cheguei a fazer o meu. Aí tem um que tem eu! O que já é um começo. Aí depois disso tem o do meu TCC, que é um livro baseado no que foi publicado também.

 

Fotos: Pérola Dutra