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Black Rainbows: Uma Viagem Pelas Raízes Da Vans E Do Skate Em Venice Beach

No começo desse mês de agosto, eu, Guilherme, entrei em um avião com destino a Los Angeles com o objetivo de conhecer a praia de Venice, um daqueles lugares que qualquer pessoa que tenha se aprofundado levemente no universo do skate e do surfe já ouviu falar e se imaginou dando um rolê por lá em algum momento da vida.

A VANS, que tem seus dois pés fincados na Califórnia, convidou o SneakersBR para ir até lá e conferir de perto o evento que celebra o primeiro tênis criado especialmente para o skate na história, o VANS ERA, que esteve – e está – presente nos pés de muitas pessoas, até aquelas que nunca pensaram em encostá-lo em pedaço de madeira sobre rodas.

O evento em questão foi chamado de Black Rainbows, fazendo uma referência direta às marcas pretas em forma de arco deixadas pelas rodinhas dos skates nas paredes após um wall ride.

O local escolhido para receber o acontecimento ficava a poucas quadras do hotel onde estava hospedado, e era nesse caminho onde acontecia quase tudo aquilo que a gente vê quando o assunto é Venice Beach.

Na orla, onde está extensa faixa de areia que divide a loucura de Los Angeles do oceano Pacífico, tem quadra de basquete, inúmeros coqueiros, muitos artistas de rua e, claro, a famosa pista de skate de Venice.

O Black Rainbows rolou na Rose Room da Venice Ale House, uma cervejaria e restaurante em plena Ocean Front Walk, mas antes de pisar lá a gente se dirigiu ao subsolo do prédio em frente.

Logo depois de descer um pequeno lance de escadas, entrei em um espaço que simulava a House of Vans, primeira loja aberta fora de Anaheim, cidade natal da marca.

Devidamente transportado para a década de 1970, conferi algumas fotos de época expostas nas paredes e outros itens que não faziam apenas parte da decoração do lugar, como os vários modelos do VANS ERA dispostos nas estantes.

Haviam também alguns shapes com uma das tradicionais artes do Jim “Red Dog” Muir, que assinou uma limitada tiragem de 200 unidades deles para que fossem distribuídos entre os presentes – incluindo eu!

Após essa pequena experiência, chegou a hora de atravessar a rua e chegar, de fato, ao Black Rainbows.

Depois de uma rápida passada pela representação do quarto de um jovem nos anos 70, entro aonde as melhores partes do evento estavam prestes a acontecer.

Bateria montada para os shows, mini piscina/bowl a postos, e uma linha do tempo contando a história da VANS, do ERA e do skate na terra dos Reis de Dogtown. Esses eram os protagonistas fixos do local, junto de uma exposição de pranchas de surfe e skates feitos e usados pelos Z-Boys.

Ninguém menos que Tony Alva, Jim Muir, Eric Dressen, Peggy Oki, Jeff Ho e Elijah Berle estavam no primeiro papo realizado no Black Rainbows.

Sentados no bowl, todos divagaram sobre o papel do surfe e do skate em suas vidas, assim como o surgimento dos lendários Z-Boys (e girls, no caso da Peggy). Se você não conhece muito dessa história, coloque agora na sua lista de execução os filmes/documentários Dogtown and Z-Boys e Os Reis de Dogtown.

 

Conversa finalizada, chegou a hora de preparar o terreno para duas bandas locais. A primeira delas, Entry, começou a noite com seu hardcore punk rápido, cru e quase sem pausas.

Na sequência, chegou um dos momentos mais esperados do dia: hora do Suicidal Tendencies se apresentar.

Formada no comecinho da década de 1980, ali mesmo, em Venice Beach, o Suicidal Tendencies é um dos grandes responsáveis pela junção do hardcore punk com o thrash metal, o chamado crossover, que influenciou várias gerações a partir dali.

A banda é uma velha parceira da VANS, com algumas colaborações em seus currículos e longos anos de amizade através do skate, principal conector de todos ali presentes.

No segundo dia de Black Rainbows fomos recebidos com um brunch regado a waffles, que abriu as portas para a primeira atividade do dia, um workshop de flyers com estética punk, ministrado por um dos grandes nomes dessa arte, Bryan Ray Turcotte.

A programação seguinte envolve uma conversa com o frontman do Black Flag, Henry Rollins, e vários outros homens e mulheres que atuaram fortemente no crescimento da cena punk de Los Angeles, como Phranc, Rudy Bleu, Ray Sanchez e Drew Arriola Sands.

Quem fechou a noite foram as bandas The Paranoyds e a também lendária banda X, na ativa desde 1977.

Minha participação no Black Rainbows acabou nesse segundo dia, mas as experiências ali vividas darão bons frutos por todos os anos que ainda estão por vir.

Se você não nos segue no Instagram e ficou de fora da cobertura realizada ao vivo durante os dias que o SneakersBR passou em Venice Beach e por toda a cidade dos anjos, confira o destaque Black Rainbows fixado em nosso perfil.

Além disso, fique de olho em nosso IGTV, onde sempre rola uma dose extra de informação.