VEJA Celebra 20 Anos Com A Primeira Loja No Brasil

EDITORIAL
11 jun 2025
Por: SBR Team

Marcando 20 anos de história e seu momento especial de atuação no Brasil, a VEJA está inaugurando sua primeira loja na América Latina, na Rua Oscar Freire, 565, em São Paulo (SP). Para a ocasião, a marca está reimaginando o V-90, numa edição que celebra os 471 anos da capital.

Produzido em apenas 471 pares, o V-90 São Paulo Mon Amour traz tons sóbrios que remetem à metrópole. Detalhes em amarelo falam sobre a alma multicultural da cidade e o número 011 é um símbolo de pertencimento.

O lançamento será no dia 11 de junho, data de inauguração da loja. Momento especial para contarmos um pouco da história da marca e suas práticas inovadoras.

A HISTÓRIA DA VEJA

Se fôssemos contar os 20 anos de história da franco-brasileira VEJA em números, desde o lançamento de sua primeira silhueta, o Volley, teríamos 14 milhões de pares vendidos, 1560 toneladas de algodão orgânico consumidas, outras 2560 toneladas de borracha amazônica. 700 funcionários com características especiais encontraram um lugar para trabalhar. Zero estoque, investidor e propaganda.

Em 2004, dois amigos franceses vieram ao Brasil com a ideia de reinventar o processo produtivo de um artigo icônico para sua geração: o tênis. A ideia era fazer, de modo diferente, cada etapa desse sistema de fabricação até o produto final. O objetivo não era somente criar um item de moda, e sim um tênis com impacto positivo. Em 2005, 5 mil pares foram lançados na primeira coleção; atualmente, a produção anual é de mais de 3,5 milhões. Desde 2013, a marca opera no Brasil.

O COMEÇO DE TUDO

A história da VEJA começa em 2003, quando os franceses Sébastien Kopp e François-Ghislain Morillion deram início a uma auditoria social para uma marca de moda passando por quatro países: China, África do Sul, Índia e Brasil.

Durante uma inspeção na Ásia, ambos perceberam que, apesar das aparentes boas condições de trabalho no ambiente fabril, constataram condições longe das ideais para os empregados. Naquele momento, Sébastien e François entenderam que os desafios da indústria da moda iam muito além das paredes das fábricas, e começaram a imaginar um modelo de negócio que respeitasse as pessoas e o planeta.

No mesmo ano, conheceram o trabalho da AlterEco, empresa de alimentos orgânicos fundada por Tristan Lecomte, e viram, pela primeira vez, o comércio justo aplicado na prática. Com a experiência, voltaram a Paris, com o objetivo de reinventar um dos produtos mais simbólicos da atual geração: o tênis – levando os valores praticados por Lecomte para a cadeia de produção no universo da moda.

Em 2004, a dupla escolheu o Brasil para estabelecer a produção da VEJA, após encontrarem no país todas as matérias-primas necessárias e um cenário com leis trabalhistas consideradas justas. Neste tempo, fizeram uma longa pesquisa de território e tiveram a oportunidade de vivenciar a Amazônia e dialogar com famílias extrativistas que produziam borracha respeitando a floresta. No Ceará, conheceram o movimento do algodão agroecológico e as famílias agricultoras que produziam de forma orgânica, livre de agrotóxicos e pesticidas. Sébastien e François apresentaram a elas sua ideia de reinventar o processo produtivo, promovendo oportunidades de desenvolvimento econômico e social para agricultores, com respeito aos seres humanos e à natureza.

PILARES

Três pilares sustentam o propósito da VEJA:
1. uso de matérias-primas ecológicas
2. política dos zeros
3. transparência.

De modo geral, aproximadamente 70% do valor de um tênis de grande marca representa gastos em publicidade e apenas 30% é destinado para matérias-primas e produção. Desde sua criação a VEJA caminha na contramão desse movimento, direcionando o investimento para valorização de sua própria cadeia produtiva.

A política dos zeros consiste em: zero investidor, com a liberdade de optar pelo comércio justo e agroecologia; zero estoque – sem a necessidade de produzir na velocidade do mercado, respeitando o tempo do ser humano e o ciclo da natureza; zero publicidade – alocando esse recurso no pagamento de preços justos e na inovação de processos e materiais; e zero dívidas – proporcionando a liberdade financeira necessária para tomadas de decisão alinhadas com os valores da marca.

MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUÇÃO

Borracha, Algodão, Couro e PET Reciclado. A VEJA olha para esses componentes além de matérias primas, tendo foco em manter florestas em pé, bem-estar animal e trocas justas com os produtores - assumindo que o custo disso seja maior, mas que seu valor é inestimável.

BORRACHA
A borracha nativa da região amazônica é uma das principais matérias-primas utilizadas pela VEJA. A marca atua há mais de 20 anos na cadeia da borracha no Estado do Acre e, mais recentemente, no Amazonas, no Pará e em Rondônia, estabelecendo parcerias com famílias extrativistas e suas comunidades para garantir um processo produtivo que respeite tanto a floresta quanto seringueiros e seringueiras. Em 2024, a VEJA comprou diretamente de 20 associações, abrangendo 2.800 famílias que, juntas, produziram mais de 900 toneladas de borracha. A marca pagou quatro vezes mais pela borracha do que a média paga pelo mercado. Essa parceria busca fortalecer a economia local, reduzir o desmatamento e promover boas práticas de manejo florestal – três pilares que giram em torno do mesmo foco: manter a floresta em pé.

ALGODÃO
O algodão utilizado em toda a fabricação é orgânico, livre de fertilizantes ou pesticidas. A VEJA incentiva e prioriza o uso do algodão agroecológico, pois entende a importância da prática na qualidade de vida dos agricultores e agricultoras e na preservação do meio ambiente. Apenas em 2024 a VEJA comprou cerca de 250 toneladas de algodão orgânico de 1.500 famílias no Brasil e no Peru. O preço pago pela matéria-prima foi três vezes maior que a média paga pelo mercado.

COURO
Na cadeia do couro, transparência química e zero desmatamento são o foco. O couro utilizado pela VEJA é de origem bovina, de campos nativos no Rio Grande do Sul e no Uruguai — 80% do couro provém de propriedades orgânicas certificadas. Esta matéria-prima representa apenas 3% do valor econômico do animal, criado primeiramente para alimentação, e é reaproveitada na produção dos tênis. O bem estar animal é outra exigência nos processos da VEJA: sistemas de pastagem extensiva, o que significa que eles são livres para pastar em campos abertos, o que reduz o estresse comumente associado às práticas de criação intensiva. Os curtumes responsáveis pelo processamento do couro dos produtos VEJA são certificados pelo Leather Working Group, com garantia de que atendem a rigorosos padrões ambientais e éticos em todo o processo produtivo.

PET RECICLADO
Em 2015, a VEJA adotou o poliéster PET reciclado em sua produção, se tornando a primeira marca de tênis a utilizar um tecido feito inteiramente de garrafas plásticas recicladas e poliéster reciclado. Em 2024 o projeto abrangeu 13 associações de reciclagem e 200 pessoas. Ao todo, foram compradas 120 toneladas de PET, o equivalente a, aproximadamente, 6 milhões de garrafas.

PRINCIPAIS SILHUETAS
Atualmente, a linha da VEJA conta com nove silhuetas principais: Campo, Condor (modelo de corrida), Etna, Fitzroy - destinado às trilhas - e o Panenka, com todo seu legado histórico no futebol. Além deles, ainda temos o Recife, o V10 e o V90 e por fim o modelo que deu início a toda a história: o Volley.

COLABORAÇÕES
Ao longo do tempo, criadores com princípios semelhantes aos da VEJA trouxeram sua visão e reinterpretaram algumas silhuetas. Assinaturas como as de Asphaltgold, Cesar Villalba, Étude, Rick Owens, a brasileira P_Andrade (foto abaixo) e os heróis dos mares Sea Shepherd encontraram nos tênis uma maneira de amplificar sua mensagem e suas soluções de design, trabalhando em sinergia

O CASO BRASIL
Em 2013, a VEJA fez sua estreia no Brasil sob o nome de VERT (verde em francês), como uma solução estratégica aos desafios legais, pois a nomenclatura original já estava registrada. Dez anos depois, em março de 2024, a marca passou a ser chamada VEJA também aqui no Brasil, assumindo a identidade então já conhecida em todo o mundo - o que possibilitou que as colaborações globais desembarcassem no país.

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VENDO A VEJA DE PERTO
Em maio de 2025, o SneakersBR foi a Paris para conhecer de perto os endereços físicos da VEJA na capital francesa e arredores. Lojas, escritórios, armazenagem, reparos - hora de conferir a filosofia de negócios da VEJA in loco.

VEJA GENERAL STORE
O “Templo do Reparo” teve seu local definido em 2022, mas reformas levaram mais de uma ano e meio de trabalho árduo até ser aberta essa verdadeira Loja de Conveniência VEJA. Um espaço de 100 metros quadrados, onde a marca assume seu projeto de reparo. No início, dois sapateiros trabalharão consertando tênis e sapatos o dia todo, e um alfaiate estenderá a vida útil das roupas, independentemente da marca.

VEJA OFFICE
Um prédio de 4.200 metros quadrados, 5 andares, com 220 pessoas trabalhando no local, um restaurante vegetariano e móveis vintage por toda parte: esta é a nova casa da VEJA em Paris. O histórico é curioso: cem anos atrás, era o local onde funcionava a gráfica do partido comunista francês, chamada "Editions Sociales". Nos anos 2000, foi uma agência de publicidade. Por mais de 9 meses, nossa equipe trabalhou em conjunto com os arquitetos do estúdio Hugo Haas, mantendo o espírito cru e minimalista das Lojas VEJA. Os arquitetos buscaram materiais como carpetes de poliéster reciclado, azulejos do sul da França e móveis de segunda mão.

VEJA LOGGINS
Desde 2004, a VEJA confia sua logística a pessoas vulneráveis, com deficiência e, às vezes, socialmente excluídas. Há quase dois anos, a Loggins gerencia todos os pedidos online e a logística das quatro lojas europeias. No total, 438 pessoas nos armazéns encontraram emprego ou treinamento graças a esse suporte, aprimorando seus projetos e construindo confiança para se reintegrarem à vida profissional.

No mesmo lugar, em julho passado, a VEJA inaugurou uma oficina de sapateiros móveis com o objetivo de consertar os pares devolvidos por nossos clientes. Num contêiner recondicionado, Mustapha e Taieb realizam principalmente limpeza, colagem, algumas costuras e outros reparos em ilhós ou solas. Desde a chegada do contêiner VEJA, quase 2.700 pares já foram consertados. Em junho de 2020, a VEJA lançou seu primeiro projeto de reparo em Darwin, em Bordeaux. Outra sapataria VEJA foi então aberta nas Galerias Lafayette, em Paris, e outra na Loja VEJA, em Berlim. Mais de 6.100 pares, inclusive de outras marcas, ganharam nova vida nessas 4 sapatarias.

VEJA HOJE
Os tênis da VEJA são vendidos hoje em mais de 100 países. Esse é o resultado do trabalho de uma equipe de mais de 500 pessoas, que atua sem publicidade, sem estoque e sem investidores. Você encontra os modelos com o V na lateral do cabedal pisando em países da Europa, Ásia, América do Norte e América do Sul, ampliando a presença em países como Argentina, Colômbia, Chile, Peru e Uruguai.

A VEJA segue movida pela vontade de provar que é possível repensar processos e decisões de negócios corporativos, e ao mesmo tempo criar tênis atemporais, com um olhar cuidadoso para todas as etapas da cadeia produtiva. Unindo impacto social, justiça econômica e materiais ecológicos, o nome VEJA convida os consumidores a olharem além do tênis, para conhecer as histórias e as pessoas que estão por trás do produto.